23/11/2020 - Thais Paiva

Qual o papel das organizações-polo no Escolas2030?

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Contemplando diferentes regiões do país, as 14 organizações-polo serão referências locais para as outras 86 organizações que irão compor o programa no Brasil

Em um extremo do país, uma escola localizada na zona rural do Rio Grande do Sul que coloca seus alunos para desenvolver projetos baseados nos desafios do dia a dia no campo com o apoio dos últimos recursos tecnológicos, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Zeferino Lopes De Castro. No outro, em Manaus (AM), uma escola como a EMEF Profº Waldir Garcia, onde a valorização da diversidade pauta o trabalho pedagógico, com especial ênfase para a integração entre alunos brasileiros e imigrantes.

E o que estas escolas possuem em comum? Apesar de representarem contextos totalmente distintos, ambas trabalham com metodologias inovadoras e integram o grupo de organizações-polo do programa Escolas2030, ao lado de outras 12 instituições.

Conheça cada uma das organizações-polo do programa Escolas2030 aqui!

Espalhadas pelo Brasil, elas irão co-liderar o processo de formação das demais organizações educativas de suas regiões de abrangência, ajudando a construir as bases da pesquisa-ação do programa.

Thais Mesquita, coordenadora executiva do programa no Brasil, explica que desde o início do desenvolvimento do programa no Brasil foi uma preocupação garantir a importante premissa da construção de baixo para cima, ou seja, partindo das organizações educativas para gerar transformações mais amplas nas políticas públicas.

Este desenho começou a ganhar contornos em 2019, a partir da realização da Oficina de Co-criação, cujo objetivo foi eleger as aprendizagens prioritárias a serem promovidas e avaliadas no Brasil. Para tanto, foram convidadas diversas organizações educativas que se destacavam por sua trajetória de inovação, todas parte das redes do Movimento de Inovação na Educação. “Buscamos contemplar as diferentes regiões do país nesse convite, com um olhar voltado à diversidade que queremos valorizar e promover no âmbito do programa”, conta.

E logo tornou-se claro a importância de contar com referências regionais para alcançar as 100 organizações educativas que irão compor a iniciativa. “Convidamos, entre as organizações citadas, as públicas e comunitárias, que atendem às faixas etárias do programa, para desempenharem este papel, começando com reuniões com a equipe coordenadora para desenhar os próximos passos do programa no Brasil. No percurso, convidamos também uma nova instituição, o CIME, que se apresenta como proposta bastante inovadora, muito alinhada à proposta do programa.”

Rede de trocas

Atualmente, representantes das 14 organizações-polo participam mensalmente de reuniões virtuais com a finalidade de trocar experiências e orientar os próximos passos do programa. “Participar do programa como uma organização-polo é uma satisfação para nós porque é não somente um reconhecimento do nosso trabalho, mas também ajuda a garantir que a inovação construída até aqui tenha continuidade apesar das mudanças nas gestões, nas políticas”, diz Rosa Maria Stalivieri, diretora da Zeferino Lopes.

Para Leila Coelho, diretora da Escola Nossa Senhora do Carmo, localizada no município de Bananeiras (PB), tem sido também uma oportunidade de continuar aprendendo. “É engrandecedor e estimulante, pois é uma forma tanto de mostrar o que fazemos, mas, principalmente, de aprender outras práticas desenvolvidas pelas demais instituições, assim, formando uma rede de troca de experiências, que nos inspira a consolidar uma educação transformadora, cuja potência  é cada vez mais percebida na comunidade, na cidade, no estado, enfim, pelas pessoas e instituições que passam a nos conhecer e nos visitar.”

No momento, as organizações-polo também estão engajadas no itinerário formativo “Escolas2030: Caminhos para uma educação integral e transformadora”, que teve início em no dia 05 de outubro e se estenderá até 03 de dezembro e vem ajudando a construir as bases do processo de pesquisa-ação no país.

Na opinião de Lúcia Cristina Santos, diretora da Prof. Waldir Garcia, o intercâmbio de experiências tem sido muito positivo. “A formação traz reflexões brilhantes e em um modelo híbrido com metodologia ativa. A gente aprende muito com essa troca sai e renovado, com esperança, ouvindo tantas coisas boas que vêm acontecendo no Brasil.”