03/07/2020 - Thais Paiva

Veja os destaques da oficina de co-criação do Escolas2030

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Oficina ocorreu com o objetivo de apresentar o programa à comunidade, bem como refletir sobre as dimensões de aprendizagem.

Entre os dias 18 e 19 de outubro de 2019, ocorreu a primeira oficina de co-criação do programa Escolas2030 no Brasil, com o objetivo de apresentar o programa à comunidade e parceiros estratégicos, bem como refletir sobre os conjuntos de aprendizagem que serão promovidos e investigados no âmbito da pesquisa-ação. 

Participaram do encontro 60 convidados, entre representantes de escolas, organizações da sociedade civil e universidades  – todos envolvidos com a promoção de uma educação transformadora, democrática e inclusiva. 

Após a apresentação do programa feira pela Equipe Coordenadora, as reflexões tiveram início com a mesa de debate “O contexto atual da educação no Brasil”. Entre os palestrantes, estava Tereza Perez, diretora da Comunidade Educativa Cedac e membro do Comitê Consultivo do Escolas2030, que abordou desafios da educação pública brasileira como a questão da distorção idade-série e o racismo estrutural.

A especialista também ressaltou a importância do clima escolar para a aprendizagem. “A potência de conseguirmos gerar um clima escolar favorável em relação à aprendizagem é compensatório em função das desigualdades sociais vividas no país”, disse.

Bruno Souza, cofundador do coletivo Encrespados e do Núcleo de Jovens Políticos, além de Jovem Transformador pela Democracia pela Ashoka, por sua vez, falou sob a perspectiva da juventude, acentuando ainda a importância do programa olhar para as regiões periféricas. “As periferias criam vários indicadores, basta analisarmos com um olhar de abundância e não de escassez para as experiências que temos aqui”, disse.

Entre os pontos explorados pela fala de Manoel Andrade, professor da Universidade Federal do Ceará, esteve o gargalo na formação de gestores, além da própria situação dos docentes. “Os professores sentem profunda solidão e carregam a responsabilidade por todos os problemas dos estudantes enquanto os próprios profissionais não se sentem compreendidos”, compartilhou.

Fechando o debate, Luiz Miguel Garcia, presidente da diretoria da Undime e membro do Comitê Consultivo do Programa, destacou a dificuldade dos municípios, como entes federados, para dar continuidade a políticas públicas, o que gera confusão entre as gestões escolares. “Há a necessidade de melhor comunicação entre as esferas, com a criação de planos de educação que conversem entre si”, defendeu.

Também fizeram contribuições Roberto Silva, professor da Feusp, Ítalo Dutra, da Unicef, Amélia Artes, da Fundação Carlos Chagas, Abdalaziz Moura, fundador do Serta, Valmira dos Santos, da Escola Luiza Mahin, Liliane Garcez, do Instituto Rodrigo Mendes e Diane Souza, do Instituto Formação.

Dimensões e indicadores de aprendizagem

Os dois dias de oficina foram permeados por trabalhos em grupo. Os participantes foram divididos de acordo com as etapas de ensino com o objetivo de debater, partindo dos conhecimentos e experiências de cada um, os conjuntos de aprendizagem considerados prioritários em cada etapa. As trocas permitiram gerar reflexões sobre quais seriam seus indicadores correspondentes.

Para tanto, foram colocadas algumas provocações: quais são as habilidades, condutas, valores e conhecimentos mais relevantes a serem trabalhados nessa etapa de ensino? Quais habilidades, condutas, valores e conhecimentos mais relevantes sua escola ou organização promove? Quais indicadores e instrumentos utilizamos ou devemos utilizar para avaliar os resultados nessas dimensões de aprendizagem?

A diversidade dos grupos permitiu o surgimento de uma série de sugestões e considerações para a construção da pesquisa-ação do Escolas2030.

Recomendações para o programa

Após as discussões, alguns consensos foram apontados como a importância de dar visibilidade para indicadores fundamentais para uma educação integral, em geral, relegados a um segundo plano; a importância dos indicadores servirem tanto para instituições como para indivíduos; o potencial do programa de olhar para o que já está funcionando no Brasil; o desafio de realizar a correlação entre diferentes dimensões e, por último, a necessidade do conceito de pesquisa-ação ser bem definido, assim como seu desenho.

Diante destes apontamentos, a Equipe Coordenadora retomou as características gerais do programa Escolas2030 e consolidou a importância de dar agência às escolas e às organizações educativas não escolares em todo o processo de pesquisa-ação para construí-la de forma coletiva.