24/06/2021 - Thais Paiva

Conheça as organizações educativas que já fazem parte do Escolas2030

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A pesquisa-ação do programa acompanhará de perto 100 organizações educativas espalhadas pelo Brasil. A boa notícia é que 50 delas já estão definidas.

Desde sua concepção, o Escolas2030 se propõe a ser um programa feito por e com as organizações educativas. Com o objetivo último de criar novos parâmetros para a avaliação da aprendizagem com base na prática da educação integral e transformadora, a pesquisa-ação do programa, sob a coordenação da Faculdade de Educação da USP, acompanhará de perto 100 organizações educativas espalhadas pelo Brasil. A boa notícia é que quase metade deste grupo já está definido.

Após um minucioso processo de análise, que considerou o grau de maturidade de práticas relacionadas à dimensões como gestão, currículo, metodologia, ambiente e intersetorialidade, além de critérios de elegibilidade respectivos à diversidade, 31 novas escolas e organizações educativas não-escolares foram convidadas para compor o programa, juntando-se às 14 organizações-polo, instituições selecionadas desde o início de 2020 e que vêm desempenhando um papel de co-construção dos procedimentos da pesquisa-ação nacional.

Entre as ações que ajudaram a fundamentar a seleção das 31 também se destaca a participação e engajamento destas organizações educativas no percurso formativo Escolas2030: Caminhos para uma educação integral e transformadora, que ocorreu entre outubro e dezembro de 2020. Na ocasião, além da apresentação das premissas do programa e seu contexto global, os inscritos foram instigados a refletir sobre aprendizagem e avaliação, a mapear estratégias e ferramentas de avaliações por eles já desenvolvidas, entre outros pontos de fomento à cultura de pesquisa-ação.Vale ainda apontar que outro ponto comum entre o grupo é o fato de serem públicas ou comunitárias e atenderem alunos em contextos de vulnerabilidade.  

Entre as novas integrantes do programa Escolas2030 está a EMEF Dom Diogo de Souza, localizada em Viamão, no Rio Grande do Sul. Para Bruno Rogério Regio, diretor da escola, desde a trilha formativa a troca de experiências vem sendo muito rica. “As reflexões propostas pela formação e pelo programa nos interessaram muito desde o começo, mas ficava aquela dúvida de como tudo isso iria ocorrer na prática dentro das escolas. Agora vamos entender”, comemora. 

O envolvimento da EMEF Dom Diogo de Souza, aliás, é efeito do fomento à inovação no território. “Aqui, temos as chamadas Escolas Auroras, que são 12 escolas inovadoras que trabalham por meio de projetos a partir de temas geradores. O nosso, por exemplo, é o xadrez”, explica.

A expectativa agora é ultrapassar as fronteiras da região e saber como escolas de territórios distintos estão fazendo educação transformadora. “E trazer para a nossa escola o que for pertinente”, acrescenta Bruno.

Neste esticamento de horizontes irão se deparar com outra escola selecionada pelo Escolas2030, a escola indígena Escola Baniwa Eeno Hiepole, localizada na Terra Indígena Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. “Desde o ano passado, quando concluímos o processo formativo do programa, ficamos com essa expectativa de que pudéssemos participar da pesquisa”, conta Juvêncio da Silva Cardoso, professor de matemática e física. “Então quando recebemos o comunicado de que nossa organização educativa foi selecionada, todos aqui na aldeia ficaram muito animados.” 

Para o professor, a escola tem muito a ensinar para o resto do Brasil e o mundo. “Temos uma grande potência no que diz respeito à sustentabilidade, biodiversidade e inovação. Nossa cultura entende a importância de viver em harmonia com a natureza, de respeitar o meio ambiente e todas as formas de vida. Temos muito a contribuir com esse pensamento”, diz Juvêncio, também destacando a importância da educação contemplar a produção de conhecimento feito pelos povos indígenas. “Educação inovadora para nós é aquela que valoriza nossos saberes e ajuda a produzir conhecimentos significativos para a nossa aldeia”, resume. 

Mariana Guerra, da Comunidade de Aprendizagem Mirantão, situada em Bocaina de Minas (MG) e também selecionada para compor o coletivo-pesquisador do Escolas2030, diz que a expectativa é construir novos paradigmas para responder aos desafios dos dias de hoje e do amanhã. “A proposta de sermos acompanhadas ao longo de 10 anos nos proporciona imaginar um caminho de transformação a longo prazo e isso é muito animador para toda a comunidade”, diz.

A educadora também pontua o desejo de influenciar outras escolas, redes e comunidades. “Esperamos aprender como situar estas inovações junto ao poder público para realizar mudanças efetivas nas escolas da rede. Também, como trabalhar com pais, funcionários, crianças e outros membros da comunidade para que as propostas sejam incorporadas oficialmente e contem com a participação de todos.”

E esta transformação começa já nos próximos meses, quando as 45 organizações educativas ingressantes irão elencar, descrever, sistematizar e refletir sobre práticas inovadoras por elas desenvolvidas. No final de 2021, este exercício resultará na produção do Manual de Pesquisa-ação do Escolas2030.

Confira quem são as 31 novas organizações educativas convidadas a compor o Escolas2030

Estas são as organizações educativas que passam a compor o Escolas2030, ao lado das 14 organizações-polo:

Centro Integrado de Educação Pública Professor José Renato Pedroso – Santa Bárbara D’Oeste (SP)
Escola Baniwa Eeno Hiepole – São Gabriel da Cachoeira (AM)
Centro Municipal de Educação Infantil Hermann Gmeiner – Manaus (AM)
Comunidade de Aprendizagem Mirantão – Bocaina de Minas (MG)
Escola Classe 204 Sul – Brasília (DF)
Escola Estadual Fernando Corrêa – Três Lagoas (MS)
Escola Municipal Alvorada – Almirante Tamandaré (PR)
Escola Municipal Anísio Teixeira – Belo Horizonte (MG)
Escola Municipal Angela Misga de Oliveira – Almirante Tamandaré (PR)
Escola Municipal Antonio Coelho Ramalho – Ibiúna (SP)
Escola Municipal Caio Líbano Soares – Belo Horizonte (MG)
Escola Municipal de Educação Infantil Maria Sales Ferreira – Belo Horizonte (MG)
Escola Municipal de Educação Infantil Nova Esperança – Belo Horizonte (MG)
Escola Municipal de Educação Infantil Petrópolis – Belo Horizonte (MG)
Escola Municipal de Educação Infantil Sérgio Alfredo Pessoa Figueiredo – Manaus (AM)
Escola Municipal de Ensino Fundamental Dom Diogo de Souza – Viamão (RS)
Escola Municipal de Ensino Fundamental Guerreiro Lima – Viamão (RS)
Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente Getúlio Vargas – Viamão (RS)
Escola Municipal de Ensino Fundamental Professor Antonio Duarte de Almeida – São Paulo (SP)
Escola Municipal de Ensino Fundamental Santa Isabel – Viamão (RS)
Escola Municipal Israel Pinheiro – Belo Horizonte (MG)
Escola Municipal João Pinheiro – Belo Horizonte (MG)
Escola Municipal Professor Pedro Guerra – Belo Horizonte (MG)
Escola Municipal Polo de Educação Integrada – Belo Horizonte (MG)
Escola Municipal Sônia Braga da Cruz Ribeiro Silva – Contagem (MG)
Escola Municipal União Comunitária – Belo Horizonte (MG)
Escola Municipal Vereador Vicente Kochany – Almirante Tamandaré (PR)
EPG Edson Nunes Malecka – Guarulhos (SP)
Fundação Gol de Letra – São Paulo (SP)
Instituto Mureru Eco Amazônia – Santarém (PA)
Núcleo de Desenvolvimento Humano e Econômico de Arari – Arari (MA)